Nos últimos anos, a educação socioemocional passou a ser tema ainda mais central nas escolas públicas. Com turmas diversas, contextos complexos e múltiplas demandas sociais, ajudar a preparar os alunos para gerenciarem suas emoções, tomarem decisões responsáveis, terem um convívio harmônico com o outro e desenvolverem autonomia se tornou algo prioritário.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reforça essa perspectiva ao integrar as competências socioemocionais como parte fundamental do desenvolvimento integral dos estudantes.
No entanto, é comum haver a dúvida: como aplicar tudo isso na prática? A seguir, confira dicas de como inserir educação socioemocional na rotina da escola pública.
5 estratégias para trabalhar educação socioemocional na escola pública
Aplicar educação socioemocional na rotina escolar pode ser simples, mas demanda intencionalidade, planejamento, versatilidade e sensibilidade para apoiar o desenvolvimento integral dos alunos.
A seguir, conheça alguns exemplos de estratégias e práticas para adaptar para a realidade da sua escola ou rede:
- Comece pelo acolhimento
A educação socioemocional inicia por pequenos gestos diários. Acolher é mais do que “receber bem”; é construir um ambiente no qual todos se sintam bem, seguros e pertencentes.
Na rotina da escola, isso pode ser feito por meio de iniciativas como:
- estabelecer combinados coletivos de convivência, criados em conjunto com os alunos, para fortalecer a corresponsabilidade;
- reservar alguns minutos da semana para conversas individuais ou em pequenos grupos para identificar necessidades emocionais, conflitos e dificuldades, fortalecendo vínculo, confiança e o acolhimento;
- manter o diálogo aberto para que os alunos expressem opiniões, contribuições, desafios, sentimentos e dúvidas;
- criar espaços de convivência acolhedores, transformando ambientes neutros em espaços de apoio e conforto emocional.
Leia também: O adaptar e o bem acolher da criança na Educação Infantil
- Desenvolva atividades de integração
Jogos cooperativos, atividades em grupos e projetos colaborativos são exemplos de ações que ajudam a reduzir barreiras, diminuir conflitos e ampliar o senso de comunidade e acolhimento nas escolas.
Esse tipo de atividade contribui para desenvolver diversas competências socioemocionais, como pensamento crítico, empatia, cooperação, colaboração, comunicação, tomada de decisão responsável, entre outras.
Saiba mais: 5 maneiras de trabalhar as competências socioemocionais
- Inclua educação socioemocional sem criar sobrecarga
A educação socioemocional não precisa ser um momento, atividade, disciplina ou projeto isolado. Integrando-a de forma natural na rotina escolar, o aprendizado se torna mais natural e significativo.
Por exemplo:
- propor atividades em dupla ou pequenos grupos para resolver desafios matemáticos ou de ciências, contribuindo para desenvolver competências socioemocionais como cooperação, respeito, responsabilidade e comunicação;
- fazer a leitura de textos literários seguida de discussões sobre temáticas associadas, como empatia, ética, escolhas e sentimentos das personagens;
- incentivar a produção de textos ou reflexões sobre situações cotidianas da escola e do aluno, estimulando seu pensamento crítico e autoconsciência.
Confira também: O poder da educação socioemocional na formação integral dos estudantes
- Utilize as metodologias ativas como aliadas
Metodologias ativas de aprendizagem são recursos bastante potentes para a educação socioemocional. Isso porque elas colocam o aluno no centro do seu desenvolvimento e, por meio de suas atividades e projetos, estimulam competências como autonomia, autorregulação emocional, pensamento crítico, consciência social e cooperação, todas alinhadas à BNCC.
Alguns exemplos práticos voltados à educação socioemocional incluem:
- realizar atividades em grupos heterogêneos, incentivando o diálogo, as trocas e a responsabilidade compartilhada;
- promover projetos colaborativos a partir de desafios reais da comunidade;
- incentivar papéis rotativos nos grupos de alunos (líder, comunicador, organizador etc.), desenvolvendo competências como liderança, respeito e empatia;
- propor atividades e desafios que permitam que os alunos façam experimentos, criem projetos e hipóteses, aprendam com seus erros e testem novas soluções.
Baixe gratuitamente o eBook: Como usar as Metodologias Ativas em benefício da escola
- Incentive leituras com temáticas associadas à educação socioemocional
Por meio das narrativas, os alunos podem entrar em contato com diferentes pontos de vista, sentimentos, culturas, dilemas éticos, realidades e desafios.
Por isso, a leitura de obras com essas temáticas pode ajudar a desenvolver autorregulação, pensamento crítico, consciência emocional e outras competências essenciais para a formação integral do aluno previstas pela BNCC.
Dessa forma, os livros e reflexões sobre as obras podem servir como janelas e, também, como espelhos, permitindo que os alunos saibam como nomear sentimentos, reconhecer e valorizar outros pontos de vista e ter mais empatia.
Descubra mais: Leitura na Educação Infantil: 8 livros que abordam assuntos difíceis
A leitura pode ser acompanhada de atividades como:
- rodas de conversa e reflexão, convidando o aluno a avaliar o que ele faria na mesma situação do personagem, como ele se sentiria, como ele resolveria um desafio, etc.;
- produções inspiradas nas obras ou em aspectos-chaves (cartas para personagens, criação de finais alternativos, dramatizações, etc.);
- releituras criativas e adaptações das histórias para outros formatos como desenhos, quadrinhos, vídeo, etc.
Gostou deste conteúdo? Então, acesse o Blog da Planneta Educação e garanta hoje os nossos Materiais Educativos Gratuitamente.